Nem só de poesia vive esta gaivota. Num vôo tranquilo, apesar da tarde fria desta São Paulo barroca (se achando londrina), cheguei ao prédio imponente de pilares vermelhos - o MASP, com um propósito certo: anotar, refletir, fazer a leitura no caderninho, escrevendo, articulando tudo, num prazer extremado de poder saber retirar daquilo que eu veria o resultado de tanto esforço e dedicação feita ao longo de tanto tempo por mim mesma, nas minhas viagens em busca por compreender as linguagens e o senso estético que as articula em si mesmas e em relação intersemiótica. O quadro de Thomas Gainsborough, Drinkstone Park, de 1747, interceptou-me o vôo logo na seção Romantismo - Natureza. Nessa pintura o elemento mais "humano" é a árvore, praticamente seca, com seus galhos em movimento ascendente, desejando o céu, o infinito. Suas raízes, aéreas, lançam-na nesse movimento de busca. Simplesmente sublime. A natureza é a expressão, neste quadro, do desejo humano pelo mistério, pelo sagrado. É na natureza que o sujeito da percepção - o autor - irá representar a presença de uma "verdade" que anima o mistério do mundo e lhe dá caráter sensível. "Ser a árvore", neste quadro, situa o elemento humano (o receptor, o leitor da obra) na dimensão primitiva de um olhar que retorna ao mítico com seu poder revelador.

Qdo li seu post no face, pensei "...hum, essa gaivota vai fazer um pouso lá no blog..." rsrs
ResponderExcluirque bela leitura a sua! Dizem q as pessoas veem de acordo com o que trazem dentro (o q não deixa de ser uma afirmação um tanto romântica), mas passa algo com vc, q sempre lança sementes de beleza ao seu redor... é o tipo de pessoa q se deseja por perto, sempre talhando a matéria bruta da realidade, sempre fazendo da vida e do mundo uma arte maior! Bjs!